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Quarta, 20 de Setembro de 2017
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Esperança de paz na COP 21
21/12/2015 17h05

Atentados em Paris, bombardeios nas Síria e uma catástrofe que literalmente enterrou o rio Doce. O que os três acontecimentos tem em comum? A exploração de matérias-primas; no caso, petróleo e ferro. As vidas que se perdem em meio à violência causada da disputa por recursos naturais e seus impactos ambientais devastadores surgem como triste efeito colateral da ganância desenfreada e a sanha pelo lucro a qualquer custo.


É neste cenário de reflexão em torno da paz que ocorre a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP-21), a partir do dia 30 de novembro, em Paris. O desafio é grande: tentar frear o aumento da temperatura em, no máximo, 2oC até 2100, o que já aparece como um objetivo utópico. Como definir metas de redução de emissões de gases de efeito estufa quando cidades são bombardeadas e outras são varridas do mapa por um tsunami de lama e metais? Como pensar em equilíbrio ambiental em meio a desigualdades sociais, exploração do trabalho infantil, fundamentalismos religiosos, corrupção e tantos outros problemas sociais?


A questão climática não será resolvida apenas com medidas de proteção ambiental. Há todo um conjunto de fatores socioeconômicos a serem discutidos, desde a pobreza, passando por conflitos armados até o próprio sistema econômico. O Brasil mantém o compromisso internacional de redução das emissões de gases de efeito estufa. A estratégia é represervar os ativos ambientais que são fundamentais para a manutenção da qualidade de vida e ao desenvolvimento econômico. Goiás segue a mesma linha e tem como meta o fim do desmatamento, a redução das queimadas, a preservação dos mananciais e a proteção à biodiversidade, medidas consideradas pela ONU como imprescindíveis para a redução das mudanças climáticas. Mas o compromisso brasileiro, por si só, não será capaz de frear o crescente desequilíbrio ambiental que ocorre no país. Mudanças devem ser feitas na agricultura, na relação das grandes cidades com os modelos de mobilidade e produção de bens.


Em 2014, a 40ª Sessão do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) aprovou, em Copenhague, o texto sobre Mudança Climática que é base para substituir Protocolo de Kyoto e serviu de base para a Conferência das Partes da Convenção da ONU sobre Mudança Climática (COP20), em Lima, capital do Peru. Foi na COP 20 que Goiás ganhou espaço nas discussões, pela grande biodiversidade do Cerrado e pela implementação de medidas de conservação dos ativos ambientais. A partir das discussões do Painel, Goiás começou a montar sua própria rede de preservação e proteção do Cerrado, bioma que concentra a maior parte do desmatamento, superando a Amazônia como líder nesse passivo desde o início de 2011. Estas ações de sustentabilidade são vitais para que Goiás contribua para a redução das mudanças climáticas, conforme a proposta enviada pelo governo brasileiro. A produção de energia a partir da biomassa e o plantio direto são ações sustentáveis que devem servir de exemplo. Para se ter uma ideia, somente este ano, a energia elétrica advinda do bagaço da cana disponível em Goiás atinge 864,5 MW/h, sendo que deste total, 595,2 MW/h são exportados para o sistema nacional. Esse número ainda pode ser muito maior e representar um substituto para as termelétricas que poluem a atmosfera e aumentam o consumo de óleo diesel.


O compromisso com a vida no planeta estará expressado na compreensão de todos os chefes de estado na COP 21. Mais do que um acordo climático, a COP 21 deveria ser o embrião para um acordo global de paz.


Jacqueline Vieira é superintendente executiva do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos de Goiás

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